Entrevista com Felipe Malta


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Entrevista com Felipe Malta 

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Profissão: Jornalista do SBT Brasília

Felipe Malta é formado em jornalismo pela universidade de Brasília e em comunicação empresarial pela université de Rénees, na França. Morou um ano em Paris e em Lannion na França. Morou também um ano no Canadá em Vancouver,  é natural de Uberlândia-MG.

 

YT: Felipe Malta, seja bem vindo. Você é repórter há muito tempo? Fale-me um pouco sobre o SBT Brasília.

FM: Muito bem Yago, pra começar, eu estou no SBT Brasília há 5 anos, comecei como estagiário em 2010. Estava no sétimo período da faculdade de jornalismo na universidade de Brasília e me inscrevi no processo de estágio, fiz a prova que é bem difícil por sinal. Passei, e trabalhei muito lá dentro, quis mostrar serviço. Quis aprender muito, e no final do meu processo de estágio, eu tive a alegria de ser contratado. Primeiro pra fazer a apresentação da previsão do tempo do jornal local. Eu fazia a apresentação da previsão e conciliava com as atividades de produtor, que procura pauta, que agenda entrevistas pros repórteres, que ajuda os editores no fechamento do jornal. Então eu fazia esses dois tipos de reportagem, depois fui pra rua, trazer histórias que mexem com a nossa cidade, com a comunidade, depois fui pra rede, pra ser repórter de rede e hoje apresento o jornal de sábado que pra mim é o grande presente que o SBT me deu porque me deu a chance de fazer o que realmente gosto que é não somente estar na apresentação ou no estúdio, mas também de pensar o jornal como um todo. De pensar os assuntos que agradam ou interessam o telespectador, e também a melhor forma de levar essa informação pra eles. Então estou no SBT Brasília, basicamente o SBT é a minha escola de televisão, onde eu comecei e aprendi tudo que eu sei. Eu conciliei algum tempo, 4 meses, um outro trabalho, em um outro turno em uma TV local daqui de Brasília, mas posso dizer sem dúvida que o SBT sempre foi minha casa, a única televisão que eu trabalhei e me dediquei, e que me ensinou tudo que eu sei hoje.

felipemalta

YT: Que outras atividades te fascinam tanto?

FM: Então eu faço faculdade de direito, eu sempre quis fazer jornalismo e trabalhar com TV, mas jornalismo nem era a minha maior paixão, a minha maior paixão era TV mesmo e o lance de fazer Ao vivo, isso me fascina. Mas eu gosto muito das profissões relacionadas com o direito, gosto muito das carreiras jurídicas. Imagino que se eu não fosse um profissional de televisão, eu gostaria de ser um procurador, um promotor, um membro do ministério público, eu iria querer atuar em favor de causas de interesse público nesse órgão do ministério público. Então, na verdade eu tô fazendo a faculdade porque eu quis continuar estudando. Pegar mais informação na minha carreira, então quis me sentir mais embasado até pro meu trabalho na televisão. Muitas vezes o SBT dá aos apresentadores, dá pra gente, a possibilidade de estar no estúdio apresentando as  notícias, mas também com liberdade pra comentá-las e eu acho que isso é uma responsabilidade muito grande. Eu sempre tenho esse intuito de me preparar, de buscar mais conhecimento, pra ter uma base, pra ter legitimidade pra poder comentar os assuntos tão polêmicos e diversos que a gente apresenta no nosso noticiário.

 

YT: Você sonha em trabalhar em outra emissora? Qual e por quê?

FM: Engraçado essa pergunta, porque na verdade, o meu sonho desde pequeno é trabalhar no SBT. Eu gostava demais da emissora, assim como milhões de adolescentes gostam até hoje e tem esse vínculo afetivo com o SBT. A gente cresce assistindo o SBT, inclusive é o slogan da nossa campanha de vice-liderança e de que o SBT foi a única emissora dos últimos anos que conquistou público e você… Cresceu vendo o SBT e agora vê o SBT crescer. Eventualmente não descarto a possibilidade de num futuro com o desenrolar da minha carreira, e do meu trabalho de trabalhar em outro lugar. Mas hoje posso dizer que estou felicíssimo aqui e espero que minha passagem no SBT tenha vida longa ainda.

 

YT: Você já tem muitos fãs? Como lida com eles?

FM: Olha sobre fãs… Eu tenho. Tem o pessoal da internet que faz fã clube. Tem gente que vai atrás pra tirar foto pra conhecer um pouquinho, sabe que eu ainda não to acostumado com isso. Eu olho pra mim e penso, eu sou tão pequeno, tão pequeno e só no começo, como é que tem gente que já gosta do meu trabalho? Mas sabe de uma coisa, conheci Ivete Sangalo duas semanas atrás, pude conversar com ela que é uma mulher fantástica e uma profissional que admiro muito e vendo o jeito que ela me tratou como fã dela e como me inspirou, e ás vezes você sabe que algo que ela fez, que ela falou, que uma atitude inspira minha vida, eu comecei a olhar pra esse pessoal que me admira com outros olhos. Se cada um de nós tiver alguém bacana pra se inspirar, o mundo certamente vai ser um lugar melhor. Eu me inspiro na Ivete, no jeito que ela lida com a vida, no jeito que ela toca a carreira dela, no jeito que ela lida com os fãs, e ela nem sabe disso da mesma forma que tem alguém que se inspira em mim e eu nem sei disso nesse ciclo de irmos nos inspirando uns aos outros. Nas coisas que a outra pessoa tem pra nos inspirar, isso é muito bom e isso só traz coisas boas. Hoje sou muito feliz que tem gente que gosta do meu trabalho, se não tem ninguém que gosta da gente na TV, comunicação, nosso trabalho está mal feito. Nosso objetivo é levar uma mensagem limpa de credibilidade, importante, um conteúdo de interesse público pra pessoa que está todo do outro lado, então ver que tem gente que gosta me deixa mais honrado, mas eu não me iludo não, esses fãs são parceiros, são telespectadores e eu olho pra eles de igual pra igual, exatamente pelo fato de que somos iguais mesmo, não tem a menor hierarquia, não tem esse negócio de estrelismo não, o pessoal entra no estúdio, toma cafezinho junto, fica assistindo, é uma relação de cumplicidade deliciosa.

 

YT: O que mais te incomoda na conturbada disputa por audiência, nesses tempos de muita disputa?

FM: Sobre audiência, a disputa de audiência em si não me incomoda. É uma competição  saudável na grande maioria dos casos, porque o que a gente faz em televisão é comunicar e de que adianta a gente falar e ninguém me ouvir, do que adianta a gente mostrar um VT, uma reportagem que nós jornalistas julguemos excelentes, se a pessoa que assiste em casa não achar importante. Então a disputa pela audiência em si não me incomoda justamente pelo fato que eu acredito que a briga pela audiência, essa disputa, e essa guerra pela audiência leva os profissionais a pensarem maneiras melhores de fazer o trabalho deles, evidentemente que em alguns casos, alguns programas de TV, ás vezes perdem a mão, ao invés de buscarem uma maneira mais atrativa, buscam uma maneira mais apelativa de atrair o telespectador, mas eu não compartilho e nós do jornalismo do SBT não compartilhamos dessa filosofia. O público tem interesse e merece e ter o direito de ser bem informado e ter informação de qualidade, então cabe a nós encontrar essa informação de qualidade e colocar da forma mais palatável, mais gostosa e mais divertida de colocar essa informação pra quem nos assiste.

 

YT: Como sua família reagiu diante da sua postura em relação aos seus objetivos e ao que você faz hoje?

FM: Meu pai e minha mãe são meus maiores fãs, o meu pai inclusive ele monitora o que eu posto nas redes sociais. Quando ele acha que estou falando muito rápido ele me liga, quando ele acha que minha voz não tá boa ele liga. Então assim, lá em casa meu pai e minha mãe são fãs, mas são fãs assim críticos, no melhor sentido da coisa. Eu tenho uma família que me apoia, óbviamente no começo, quando a gente tá começando a trabalhar, começando a apostar numa carreira profissional e ressaltemos que a atividade do jornalismo tá em crise, não só no mercado de trabalho, com de identidade, então quando você começa uma empreitada dessa, o nosso pai e nossa mãe ficam com um pé atrás, não porque não gosta do que a gente quer fazer, será que vou conseguir sustentá-lo? Seria que não seria melhor uma carreira mais tradicional? Isso é muito comum aqui no Brasil. Então no primeiro momento, quando eu sai lá de Uberlândia com 16 anos de idade, pra morar sozinho aqui em Brasília, pra poder faculdade de jornalismo meus pais me apoiaram mas o fundo eu enxergava preocupação, hoje não tem mais. Não porque eu esteja em um patamar 100% seguro da profissão, isso não existe pra ninguém mas porque hoje eu já consegui trilhar um caminho que me dá portfólio, que me dá segurança, que me dá babagem porque eu sei fazer o que eu estou me propondo a fazer que é televisão, então o reconhecimento do SBT em me colocar a frente do Jornal de Sábado é um sinal de que essa carreira está dando certo, e tudo que eu tenho feito até hoje, eu tenho feito com o maior zelo possível. Então eu faço meu trabalho com amor e com paixão, as pessoas que me conhecem sabem o tanto que eu me dedico ao jornal de sábado, e ao SBT. Então essas qualidades da gente de dedicação e força de vontade principalmente quando elas mostram resultado, eu faço o que eu gosto e as pessoas vêem que está sendo bem feito, eu vou ter onde trabalhar e não me preocupo com isso. Então meu pai e minha mãe que hoje já viram essa realidade que eu vivo, estão super tranquilos e super felizes por mim graças a Deus.

YT: Faça uma breve crítica do atual jornalismo brasileiro. 

FM: Bom eu me sinto mais a vontade do jornalismo de televisão, porque foi onde minha carreira foi fundada. E a minha reflexão hoje sobre o jornalismo de TV é que realmente estamos numa crise de identidade, nós ainda estamos tentando descobrir qual o nosso papel nesse emaranhado de informações que surgem a todo momento nas diversas possibilidades de acesso que a pessoa tem a notícia. Então a televisão passo-a-passo está buscando o seu lugar, qual o lugar de um telejornal em dias de tão fácil acesso na internet a todo momento no Tablet, no celular. Então estamos tentando descobrir quem é a gente, mas vejo um futuro extremamente promissor pro jornalismo de televisão. Tem certas coisas que só o repórter de TV consegue fazer, que é mostrar a realidade das pessoas, que é contar a história de pessoas muitas vezes desconhecidas que pela televisão tornam-se conhecidas. E por serem exibidas na televisão fazem surgir de imediato uma demanda ás autoridades e ao poder público por melhora na estrutura dedicada a populações carentes e marginalizadas. E eu acho que o jornalismo de televisão ainda tem a fidelidade do público, pois sabe-se que por trás daquele apresentador de jornal existe sempre uma equipe, jornalistas dedicados e comprometidos com a verdade. Eu acho que o jornalismo de televisão tem um futuro extremamente promissor justamente por causa do jornalismo Ao vivo, que na minha opinião vai salvar a TV aberta, que vai ser grande propulsor da TV aberta nos próximos anos, vai ser o jornalismo Ao vivo, eu acredito. O telespectador sabe, que algo que passou na televisão em um jornal de credibilidade, como são os principais telejornais do Brasil, existe uma checagem e apuração muito séria pra que a gente ao ar a verdade da forma mais correta possível. Algo que muitas vezes nesses milhões de Blogs na internet não se pode confiar tanto, então ainda paira sobre a televisão a áurea da credibilidade, isso é muito bom para os jornalistas que trabalham com TV.

 

 

YT: Agora mais pro lado pessoal, você está solteiro? O que mais te atrai numa pessoa? O que uma pessoa precisa pra te conquistar?

FM: Nossa!! Minha vida fora da televisão é a mais careta possível, estou solteiro faz muito porque não encontro tempo pra me relacionar. Eu trabalho muito e estudo muito, os dias vão passando e a gente nem se atenta ao coração vazio. Eu saio da televisão, vou pra casa no fim de semana eu durmo (Risos), aí eu gosto de tomar sol com os meus amigos numa piscina e tudo mais, mas eu posso dizer que 80% do meu tempo é dedicado ás minhas atividades, seja no SBT ou em casa em estudos autônomos sobre audiência e futuro de televisão, pro Jornal de Sábado eu não levo aquilo como brincadeira não, eu levo muito a sério. Então pra mim estudar como melhorar aquele produto, como as pessoas de casa estão vendo aquele produto e qual a forma que o telespectador acha que a informação deve ser oferecida pra ele,  levo isso muito á sério então quando não estou na TV, no Jornal de Sábado, ou nos jornais de Rede, eu estou em casa… Aí você escolhe, ou estou dormindo, ou estudando mais um pouquinho (Risos).

YT: Qual sua maior qualidade? ( Aparentemente o carisma e a gentileza). E o que mais te irrita em alguém?

FM: Essa auto avaliação da gente é importante, quando eu olho pra mim eu vejo que uma qualidade que eu tenho é o comprometimento com o trabalho, com o que eu faço, sou muito dedicado. Mas tenho também defeitos como tudo mundo, sou bagunçando em casa, meu quarto é uma bagunça, e perdemos tempo porque não encontramos algumas coisas. Eu precisava ter um pouquinho mais de controle financeiro, colocar minhas continhas todas certinhas pra saber o quanto que eu gasto, mas melhorei muito e hoje to até conseguindo fazer uma poupança. Preciso administrar melhor meu tempo, pra conhecer gente, ir ao cinema e sair com meus amigos, eu vejo que eu tenho que melhorar bastante nesse aspecto.

horadaestaca

Estaca! ( Agora você deve dar notas de 0 a 10 para essas personalidades e comentar sobre essas notas é opcional).

Sandra Annenberg ( Jornalista e âncora do Jornal hoje da TV globo)

Rachel Scherazade (Jornalista e âncora do SBT Brasil)

Paulo Henrique Amorim ( Jornalista e apresentador do Domingo espetacular da TV Record)

Maurício Stycer ( Crítico da Uol)

Não me sinto apto a julgá-los, tenho muito o que aprender com esse pessoal, mas tem figuras do jornalismo que eu admiro muito, Marília Gabriela como entrevistadora é fantástica, Mônica Waldwogel pela flexibilidade, pela adaptabilidade com a capacidade de fazer com primazia todo tipo de formato que colocam na mão dela, o Evaristo Costa sou muito fã pela relação de cumplicidade que ele desenvolveu com os telespectadores ao longo dos anos. Acho o máximo, ele só tá nas redes sociais faz pouco tempo, e quando ele entrou no Facebook, no Instagram, aquela explosão de seguidores e de comentários, o que reflete de forma silenciosa o carinho dos telespectadores nesses anos de relacionamento, eu o admiro muito. Willian Bonner pela gestão do “Jornal Nacional”, pela gestão daquele jornal tão importante, e por ver panorâmicamente todas as questões que envolvem fazer um jornal daquele porte. A Rachel Sheherazade pela capacidade de comunicar os pontos de vistas dela muitas vezes polêmicos, mas ela comunica de uma forma muita limpa e muito clara, então ela tem uma capacidade muito grande. Gosto muito da Hebe, não é jornalista, mas admiro muito a forma simples, a forma completamente honesta de lidar com assuntos cotidianos e com o público durante décadas me inspira muito.

YT: Se um dia fosse convidado para participar desses programas quais deles aceitaria e quais não aceitaria? “Dança dos famosos”, “A fazenda” e “Superchef de famosos”.

FM: Hoje eu não iria pra reality show nenhum não (Risos), na verdade isso nunca interessou muito participar. Anos atrás passava “O aprendiz” na Record do Roberto Justus, que era aquela disputa de profissionais conceituados em competições que simulavam situações do mundo empresarial, então aquilo me interessava bastante, eu era fã e assistia sempre. Porque eu acho que a gente aprendia muito com as situações, com a forma como a gente reagia ás dificuldades, com os conselhos que o Justus e os conselheiros dele davam na reunião final. Se eu pudesse voltar no tempo, na época que eu estava na faculdade eu aceitaria participar de “O aprendiz”, mas hoje prefiro estar na TV da forma que já estou hoje apresentando jornal.

YT: O que mais te incomoda na sociedade Brasileira de hoje?

FM: O que me incomoda é a facilidade que as pessoas tem pra tomar uma posição cristalizada sobre um determinado assunto e serem radicais com aquilo que eles pensam. Nós precisamos praticar a tolerância e o respeito acima de tudo, e as pessoas estão em pólos opostos porque não estão afim de outro. Religioso, político, de gênero, orientação sexual, de tudo que as pessoas se coloquem lados opostos. Estar faltando entender que cada um faz da sua vida, aquilo que bem entender, se ela tiver cidadania, se respeitar a lei e o espaço do outro, a gente tem que olhar pra ela com todo  respeito do mundo, seja ela quem for.  Me incomoda o retrocesso de pensamento, em que pessoas dizem que o Brasil deveria voltar pra ditadura, eu não vivi a época da ditadura, mas está mais do que provado que as pessoas… Que a forma como eram tratadas pessoas que pensavam de forma diferente, muitas vezes torturada, sem o menor respeito, e a gente não pode cultuar um momento tão sombrio da história do nosso país, eu acho que nossa democracia está em xeque cada vez que surge uma nova denúncia de corrupção. Sabe esse discurso de “Bandido bom é bandido morto”, sabe esse discurso de que resolve bater em todo mundo, isso me incomoda muito, temos que por a mão na consciência, vivemos momentos difíceis, o Brasil não é um país para principiantes, mas não podemos cultuar e incentivar a voltar para um estado em que não impera a lei, mas impera o porrete e a ditadura.

     Nossos agradecimentos por essa oportunidade e nossas singelas palmas a esse grande profissional, a esse grande cidadão, a essa gigante pessoa.

                                          Obrigado Felipe Malta!!

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